segunda-feira, maio 29, 2006

Ah! A Dulce.

Ela me fazia companhia, até cuidava de mim. Com ela, eu nunca estaria só. Um dia eu tinha brigado com uma menina no colégio. Na verdade eu até bati nela. Puxei o cabelo dela até o chão, tomando as dores da minha Barbie médica, agora sem cabeça. Emprestei minha melhor amiga pra ela brincar e quando voltou a boneca estava sem cabeça. Chorei tanto, porque a cabeça de Barbie, quando sai do lugar, não volta mais.

Foi a primeira vez que eu fui parar na diretoria. Primeira vez de muitas outras, depois. Quando voltei pra casa, me sentindo só, mas vingada. Depois que a vovó me deu banho. Deitei um pouco e quando acordei, a Dulce estava lá, do meu lado.
Menina branquinha, com tranças no cabelo. Vestido preto com bolinhas brancas, meias até o joelho e sapato de boneca lustrado. Ela tinha um dos melhores gostos musicais que uma menina poderia ter, cantava tão bem que até conseguia me acalmar. Um rosto iluminado e bondoso. Boquinha pequena e rosada.

Se apresentou e conversou.


Era a minha companheira de todas as horas. Cresci com ela. E quando não podia brincar na rua de pira-pega, pira-alta, não reclamava de estar conversando com ela.
Correr nas alamedas, correr de cachorro e procurar gatinhos embaixo e carros. Pular corda e subir no muro alheio. Ah! Quanta falta a minha infância me faz.
A Dulce conversava sobre tudo comigo. Às vezes até brigava quando eu fazia coisa errada. Ficou comigo por uns bons anos. Para ser franca, foi embora ano passado. Oito anos de pura amizade.

O engraçado da história: ela foi embora quando comecei a falar com o Rodrigo. Acho que ela sabia que estava me deixando em boas mãos.
Hoje ela deve ser companheira de outra garota, uma garota de sorte. Mais uma, garota de sorte.

E se um dia eu precisar, sei que vai voltar.

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