quinta-feira, agosto 17, 2006

A Maria Escritora.

Os dias acima dos seus, á fazia refletir.Sem motivo algum, ou, com motivos de sobra, ela revirava os cadernos, cheios de poeira, e procurava um único poema.Feito à mão, há anos atrás.
Feito para alguém.Um alguém, que hoje, se encaixava no diário, dos seus sentimentos.

Os dias, agora, desde que tinha se notado só, eram assim.Cheios de horas intermináveis e que nunca lhe ajudavam a crer em outros dias melhores.O nome dela?Ah!Sim, o nome era Maria.Ou na verdade, o nome é Maria, já que pelo que consta ela continua viva, morta-viva, mas ainda assim viva.

Certa vez...
Mas eles me perguntam: Por que você vai começar uma narração, como todos começam?
É, é bem verdade, que de todas as narrativas que eu já fiz, até hoje, nenhuma iniciava assim.Soa até meio infantil, não?Mas de qualquer forma, os por menores nem fazem diferança, respondendo a pergunta.

Bom, que seja, lá vamos nós.

Como havia dito, se chama Maria, ou sua graça é Maria, ou seu nome é Maria, ou o seu papai e sua mamãe lhe deram o nome próprio de Maria.Sem sobrenome ou nome do meio, ou composto.Maria.É preciso dizer mais?
A menina-mulher, que naquele dia procurava um de seus poemas, ohava aflita.Não era possível que havia jogado no lixo, um poema que hoje, no seu agora, fazia tão mais sentido, do que quatro anos atrás.É, a quatro anos, era ainda (ou ainda é?) uma criança.Menina, garota, moleca, infanto-juvenil, adolescente, que seja.Era imatura, e só pensava nele.Nem sabia o que era amor, mas já dizia-se apaixonada, e foi naquele momento, que fez o dito poema que agora procurava.

Entrou no quarto sem nem olhar quem estava em casa, e jogou as gavetas em cima da cama e procurou.Não encontrou.Procurou mais uma vez, e ainda assim, não encontou.Sentou-se na cadeira ao lado, e suplicava para encontrá-lo.Não adiantou, não encontrou.Arrumou tudo e deitou.Tentou com todas as forçar recordar o que havia escrito, mas era inútil, não teve sucesso algum.

Resolveu, reescrever o poema.Inútil, um poema escrito não pode ser reescrito, mesmo pelo próprio autor.Tentava chorar, mas nem isso adiatava, dificultava ainda mais.E ah!Ela só queria poder dá o poema, dá, como se nunca tivesse representado nada, além do que representava hoje.E parece que de propósito, não achou.Fez outro, e outro e mais outro, bons até, mas igual aquele não.Conseguiu até um melhor, mas era aquele, só aquele que resolveria a situação.

Desistiu, apesar de muito procurar, desistiu.

O atual namorado, o agora mais recente amor da sua vida, o que fazia planos e tudo o que precisa para alimentar uma relação, chegou, e ela deu, os cinco ou seis poemas novos.Mas pelos olhos do namorado/amor eterno, ela aprendeu, que na verdade, dá, os poemas, seja qual for, não é aconselhável.Ele pegou as folhas, dobrou e guardou.Não disse uma única palavra, só a beijou.Ela queria mais, uma escritora precisa de mais.O que ele não deu.

O que agora era o amor de sua vida, o homem que lhe amava, o pai de seus futuros filhos, perdeu o encanto.
Ela já o beijava de outra maneira, de maneira forçada.

Rompido.
Namoro, relacionamento, quase casamento rompido.

Meses só, novamente só.

Aquele menino, a inspiração para o tal poema antigo, é, ela o reencontrou.
E junto com ele, como brinde, um poema numa folha amassada.
Ele era o amor de sua vida, era e é.

Nunca mais se teve notícias do casal.
Só sabe-se que são felizes, enquanto durar, e os filhos?Futuros escritores.

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