quinta-feira, setembro 14, 2006

(...)

Menina, seja feliz.

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Ela o queria mais até do que a mesma.Tomava chá de camomila e ouvia Ramones.Pensava nele com os pés em cima da mesa, querendo ler, mas sem conseguir.A tarde havia sido bastante cansativa, e ela só o queria por perto, colocar a cabeça no ombro dele, e falar besteiras, ou até melhor, não emitir som algum, só, o de sua respiração, depois fazer algum comentário sem nexo, ouvir as gargalhadas dele, e o beijar, beijar como se pela prmeira vez.

Queria terminar o chá, que agora frio, levantar e conseguir definitivamente terminar o livro que agora, era quase sua missão.Ramones já não surtia efeito algum em sua cabeça, apenas aos ouvidos.Prendia e soltava os cabelos, por impaciência.Olhava as unhas e lembrava dos mais absurdos que já havia vivido.

Lembrou de anos atrás, e bebeu o último gole de chá.Satisfeita consigo mesma.Olhava as flores dos vizinhos e ouvia outra música que nem ao menos, identificava.Não havia nada para fazer, e ela já se acomodara.

Olhava os pés, quando teve a súbita vontade de dançar, entrou no quarto, trancou a porta, e por mais cansada que estivesse, ainda havia espaço e como dançar, mexia o corpo para frente e para trás, rolava a cebeça no sentido dos braços e sentava no chão.

Queria tanto abrir os olhos e consegui andar, mas não podia.Arrastou-se dali, até a cama, e deitou-se, com a mais pesada grama de seu corpo agradecendo, e dizendo que da próxima vez seria mais forte.Fechou os olhos com força, e os mesmos ardiam, viu um filme na parede do quarto, o seu filme.

Ás vezes, é muito gratificante.Perceber que não se é, apenas mais um alguém.

Olhou o tão estimado teto, e desabafou.Os pés, em forma de perdão, exigiam não suportar o peso do corpo, mas ela já levantara.Indo se servir de mais chá, como por naturalidade, como se sempre estivera alí, com o chá a olhando e a admirando por tão menos.

Espera vê-lo, mas sabia que não aconteceria.Largou a xícara com chá pela metade e retornou à cama, adormeceu.

E naquela tarde sabia, o amava, amava com sempre, até por muito mais.

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