quarta-feira, setembro 27, 2006

Entrando ao Sol, com a luz da Lua.

Vontades súbitas em puro irrealismo lhe cortavam a mente naquela manhã.Ela conseguia pensar, mas ao mesmo tempo, não conseguia.Fazia força para recordar nomes e rostos, mas ainda assim, sua pesquisa era em vão.

Preparara um bom café da manhã, com frutas e cereais -como nunca o fizera-, e deitara para ler.Lia e relia páginas sem entender, como se algo a inspirasse a escrever ao invés da leitura.Foi o que fez, pensando nele, pensando em como lhe diria sobre o começo do fim, sentou-se à escrivaninha de mogno, e colocou-se a escrever.Sentia a vibração do corpo com o peso em todos os dedos.A letra falhava e a caligrafia não a ajudava.O telefone tocava, e a perturbava.

Tentaria ir com mais pressa, porém, nada lhe faria conseguir essa proeza.Sentou-se e pegou o fone, suspirou esperando resposta, e ao fim, era engano.Levantou-se com firmeza mesmo com os joelhos reclamando.Passou a mão nos cabelos negros e os enrolou num coque.Parou em frente à janela e olhou o tempo, pensou em como ele corria sem lhe dá tempo, ao tempo.

Casa vazia, olhares pela rua, ao amanhecer.Naquele dia, ela havia acordado com desejos que a muito tempo, não sentia.Sentou-se no chão, à espera da querida inspiração.Mas ela não veio.Levantou-se e recolheu o lixo, levou para fora e lavou as mãos.De nada adiantou.Resolveu sentar-se mais uma vez com a folha branca e limpa na sua frente e a caneta gritando por socorro.

Sentiu as lágrimas vindo e não entendeu o porquê.Ele a amava, mas isso não lhe permitia sentir o mesmo.Era assim, que iria começar a carta, ou terminar; ainda não sabia.Concentrou-se em cada palavra, pontuação e coerência.Nada até hoje, que ela já havia escrito, havia coerência.Mas aquela carta haveria de ter.

Escreveu e por fim, assinou.Chorou mais um pouco, seguiu rumo ao banheiro nublado pelo tempo ruim, sentou-se no chão e sentiu a água escorrer por cada centímetro de seu corpo.Sentiu o frio descer pela cabeça até os pés.E agradeceu por isso.

Arrumou-se e pegou o carro.Deixou a carta na porta da casa dele, e seguiu rumo ao Sul.O caminho seria só e triste.E foi, era assim que ela planejara, o mundo colorido que ele havia feito ela degustar, estava escuro e só.Como ela também já planejara.Se foi, e nunca mais se teve notícias.











P.S:Esse é o contexto que a carta do post anterior foi feito.
É só ler, e tentar entender.

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