quinta-feira, agosto 24, 2006

Não é assim.

O quanto ela pensou.
O quanto ela entendeu.
O quanto ela clareou.
O quanto ela escureceu.

O motivo de mais um dia de vida, ou sem vida, lhe olhava com os olhos cheios de lágrimas.Lágrimas vindas do fim de um sorriso, agora, não visto mais.
O dia nascia como qualquer outro.
Como qualquer outro, útil ou inútil.

O levantar era fácil, a demora se dava ao acordar.
O banho frio resolveria qualquer assunto, monólogo, ou insegurança.
Mais uma dia, mais uma vez, mais e mais horas sem fim.
O caminho longo lhe traria a felicidade momentânea, ou não.

O caminho longo, cortado.
A volta pra casa, pro quarto escuro, ou claro, só poderia ser a solução.
A porta lhe identificava como se já houvesse espera à longos anos.
A janela fechada, trancada sem pássaros ao redor.
A luz no rosto, o sol no rosto.
Pra quê o sol está alí, agora?

A meditação?Não adiantava mais.
A velha e impaciênte estava de volta.
Com toda a garra de anos atrás.
Ela tinha raiva, ódio, ciúme, seja lá o que os sentimentos humanos explicam, ou descrevem.
A utopia da felicidade montava-se em quebra-cabeça, no mesmo momento em que ele juntava o lixo do chão.
Arredava roupas, e sentava ereta em frente à cama.
Contava até mil e tentava não pensar na raiva que agora, tomava corpo humano.
Batia em si mesma e ao mesmo tempo, sentia-se fraca.
Pra quê continuar essa guerra?
Será que ela ainda era mais forte?
Ou agora sim, poderia dár-se por vencida?
O que ela poderia querer da vida?

O sol foi se afastando, ela nem ao menos percebia.
A lua,"redonda lua", como diria o poeta, ia chegando e tomando seu lugar eterno.
Será que existia alguém que sentia a mesma coisa que ela?
Naquele momento...
O que menos importava era aquele momento.

Ela se despedira dele pra nunca mais sentir o que sentia.
Ela rezava baixo, pedindo a felicidade por mais alguns instântes.
Só por mais alguns momentos, pera enfim, poder despedir-se da mesma.

Ela à odiava.
Mas vivia como se não o fosse.

Ela não à odiava.
Na verdade, agora, não havia mais a menor, ou até maior importância.
O que queria, por incrível, era a solidão.

O despertar daquilo foi ao barulho do portão.
Ela levantou-se e foi tomar banho.

Aquilo?
Um sonho.
Ou um pesadelo.

E lá se foi, para mais um dia daqueles...

15 Comments:

At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

Lindo e triste texto.

Como todos os maravilhosos que escreves.

Adimiro.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

perfeito, não dá para não ler mais de uma vez.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

Aaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh amigah, tah lindo mesmo, oh.

Sua chatah que não me liga mais.

montra.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

como os de sempre não? Dona Érika?

Direito foi uma boa escolha sim.
Mas jornalismo seria perfeito.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

nós, amamos ler o que sempre escreves, é como se fosse uma alavanca para nos fazer pensar na nossa vida.

poucos escritores conseguem isso.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

sumidaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa chata.


porra, te manca, cacete, tu é doida?????

taverna sente muuuuuuuuuuuuuuito a tauh falta.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

teu tenis cano longo cor de rosa, é o melhor, e o único que anda por lá.

afinal, quem era a doida, que ia toooooda de preto com um all star cano longo PINK?

kkkkkkkkkkkkk.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Blogger Érika Canavarro said...

Saudades também. :)

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

quando vai por lah ????

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

o texto é perfeito.

divino.

como tudo o que sai da ponta dos seus dedinhos.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

belezoca, amante, marida, sumida.

vou é te trair.


artigo, narrativa, sei lá como você chama, liiiiindo.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

amiga, muitas saudades, disque meu namorado tava perguntando de ti.

temos que conhcer nossos respectivos namorados, hein?

eu não conheço o seu e você não conhece o meu.

mal eles sabem, né?
que somos maridas.

kKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Blogger Érika Canavarro said...

Poxa, contaste nosso segredo.

HAIUhauIAHUIahuiHAUIhaUIAHI

Tinha que ser tu, né?

Bluhcááááá amada.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Anonymous Anônimo said...

lindo, lindo texto.

você mesmo que escreve, nossa.

 
At quinta-feira, agosto 24, 2006, Blogger Brasil said...

Não te esquece que sempre eu estarei aí, ou aqui, contigo.

Sempre.

 

Postar um comentário

<< Home

Visitas desde Março-2006.