quinta-feira, outubro 19, 2006

O meu avô, o meu verdadeiro ídolo.

Quando era criança, era acordada por um certo " Formigão ", que se alojava nas minhas costelas e me fazia rir, nas primeiras horas do dia.Pela noite, assistia as novelas no meio dos dois maiores amores da minha vida: meu avô e minha avó, e quando não me apetecia mais nada, ou melhor, quando o sono, ocupava a maior parte dos meus olhos, virava para o lado dele, e passava a mão por cima do seu peito e adormecia até, ele me carregar no colo, e com a minha avó, me levavam para o meu quarto.

Lembro, acima de tudo e de qualquer lembrança, dele, sempre alí, quando o sufoco intentava se alojar, ou quando as alegrias deveriam ser compartilhadas.Era ele que me levava para o colégio, nas manhãs frias e úmidas, ele que carregava minha lancheira, e ria quando eu dizia que o barulho da minha mochila-carrinho, que arrastava no chão, ia acordar todos os vizinhos.Ele que chegava sempre na hora da saída, nunca atrasado, que era a primeira coisa que via, quando saía da sala de aula, sentado na cantina, pegando vento e me esperando com uma paciência que até hoje, não sei nem de onde, nem como veio e ficou.

Ele que até hoje, se preocupa quando vê no meu rosto, um pinguinho de tristeza, passa a mão pela minha bochecha e sorri, como todos os avôs, deveriam fazer.A figura masculina, mais que isso, um ídolo, um exemplo que todos deveriam ver e seguir.Nas madrugadas de enfermidades, gripes, eu via, sempre vi, ele indo ao meu quarto, duas, três, quatro vezes, acendia a luz, me olhava preocupado, puxava o lençol e voltava para tentar dormir.Quando não, ficava lá, com a vovó, sempre olhando, observando, procurando ajudar...Como pai, sempre cuidadoso e compreensivo, como marido então, sempre digo que quando tiver um marido, ele tem que ser no mínimo, como é meu avô, porque ele sim, procura sempre a perfeição em qualquer posto familiar que assuma.

Dizem, que filhos de pais separados, sempre sentem falta de alguma coisa, por menor que seja, eu não fui e não sou assim.Sempre tive, e tenho, todo o amor, e carinho que eles juntos conseguiram me dá.Supriram todas as minhas necessidades, sejam elas quais fossem, as mais complicadas e as mais simples de se resolver.E meu papai alí, sempre alí, do meu lado, nunca precisei de mais nada.E sabem, toda a força e tudo o que hoje me faz forte, vem e certeza tenho, sempre virá, deles, dessa família maravilhosa, simples como muitas, mas carinhosa e afetuosa, como poucas.Agradeço sim, por ter tido a sorte de ter e de principalmente poder e saber aproveitar, tudo, os mínimos carinhos, as menores palavras, os conselhos, os sermões muitas vezes ouvidos com raiva, com a cara de quem nem estava ouvindo, é, mas estava, sempre estive, e na verdade sempre estarei, ouvindo, aprendendo constântemente.

Setenta anos, sete décadas, em um misto de amor, compreensão, afeto e muito carinho.A inteligência na forma humana, meu avô, meu mestre.É ele que sempre sabe todos os significados de todas as palavras possíveis e imagináveis, o que sempre sabe me explicar o que não entendo, marcado pela experiência traduzida em sabedoria.

E passe o tempo que passar, ele nunca deixará de ser o melhor, em tudo que tente ou faça.


Amado, adorado, idolatrado, esse, meu avô, meu querido avô.


Grata.

2 Comments:

At sexta-feira, outubro 20, 2006, Anonymous Anônimo said...

Muito legal, amiga.


Égua.

 
At sexta-feira, outubro 20, 2006, Anonymous Anônimo said...

Escreve muito bem, a menininha.

 

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