segunda-feira, outubro 23, 2006

Ana Com/Sem Luz.

Logo que se via, o espanto era presente, não por espanto qualquer, ou espanto por ausência de beleza padrão, ou até espanto por tamanha beleza.Mas algo nela, faria qualquer um parar por três segundos, e observá-la, atentamente, procurando detalhes mórbidos e desajeitados, e por sí, encontrariam.Mas isso pouco adiantava, já que os olhos, eram o que mais chamavam atenção.Não por cores impróprias, ou cores próprias, mas por negritudes notáveis, num campo esbugalhado, puxando mais para o bonito que o feio.

Ela se chamava Ana Luz, sugerem um nome mais significativo?Eu não.A luz interior e exterior, saía pelos olhos e fincavam-se nos olhos de qualquer um, juntos, uma mescla de olhos e cores, dalí surgiriam.

Tinha os dedos mais delicados, que alguém poderia tocar.Um rosto, avermelhado pelo sol, cabelos negros, que lhe cobriam a maior parte do sorriso.

Ela, lutava pelo que queria, pelo menos até descobrir que não era quem queria ou deveria ser.Mas fato é, quem devemos ser?Ou, indo mais além, quem queremos ser?Ela queria ser outra, não aquela, que só chamava atenção pelos olhos, e não pelo o que no natural de ser, pensava.

Naquela tarde, decidira, não ser mais a antiga Ana Luz, queria luz própria, claro fique, que luz própria ela sempre teve, apenas, não conseguia ver.Ainda assim, entrara correndo pela casa verde, onde morava, pisando nas plantas que reclamaram e xingaram, abrira a porta, subira as escadas, olhava o corredor, com fotos familiares, e parada, em frende á seu quarto, alí mesmo, sentara, com as pernas em contradição, se olhou, e viu alí ao seu lado, ela mesma, a própria, a sem luz, sem vida, o ser que nem ao menos fazia juz ao nome que recebera.

Não o era, mas pensava ser.Passava as mãos bonitas pelos olhos, e arrancava as lágrimas que cresciam como a água que caí de uma cachoeira.Via as gotinhas tranparentes no chão, crescia a vontade de ser outra, deitava e soluçava.Levantava como máquina, sem pensar, olhava o fim da janela que nada tinha.Uma parede branca se formava e circulava através dos seus membros e aquilo, magicamente suprima a falta de tudo que ela nem conhecia.

Pensava nela como musa inspiradora, e não via nada.Nem de inspiração, nem de musa.Queria correr, sair dalí, mas o que queria, nem possível, era.Ana Luz, se tornou apagada, e ninguém mais via o brilho de que tanto falei.Ninguém mais via a negritude em seus olhos.Só, um rosto pálido cercada de vontades súbitas que não lhe deixavam acomodar-se.

Ela não lembra-se, mas naquele dia, pedia, para ter luz própria.E naquele mesmo instante, perdeu sua luz, e só será capaz de tê-la de volta, quando souber, que ela só, basta.

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