Doenças da alma.
As madrugadas nunca mais seriam as mesmas. Agora sem ela ao seu lado. Com a sua partida precipitada e impulsiva. Ela se despedira como fazia todas as noites só que dessa vez, para nunca mais voltar.
Ela estava diferente naquela semana, não falava muito, olhava sempre para o nada ou fixamente para alguém. O que ninguém ali sabia, era sobre a anorexia. Não sabiam e na verdade nem viam. A menina definhava aos poucos. E ninguém além de sua melhor amiga sabia.
Remédios, revistas, papéis com instruções para dietas absurdas, tudo jogado no chão do quarto, naquele momento era como se ela morasse só. Ninguém notava a sua presença e talvez esse fosse mais um dos motivos.
A amiga nem se importava tanto que ela fizesse dietas, no começo até insentivou. Sabia que ela tomava tantos remédios e sempre decidia que no próximo dia falaria com a amiga. Por deixar para amanhã essa conversa, ela nunca mais conseguiria dizer nada, não depois daquela noite.
E sem motivos aparentes, naquela noite não havia ligado para sua melhor amiga e confidente. Só conseguia lembrar das caminhadas juntas, dos risos constantes enquanto conversavam, das madrugadas perdidas falando sobre a vida alheia, das roupas e sapatos emprestados, das cartas trocadas, das tardes na praia, das roupas que ainda iriam comprar e adormeceu.
Acordou com o telefone tocando e ninguém para atender, correu e ouviu do outro lado da linha, palavras juntas que formavam frases que ela nunca pensou que iria ouvir. Sentou-se no chão e chorou. No fundo e por baixo de tudo o que estava sentindo, sentiu a culpa por deixar a pessoa que mais admirava se matar.
Naquela noite anterior, durante a madrugada os pais haviam se levantado por ouvir barulhos estranhos. A garota havia utilizado o modo tradicional. Atirou dentro da boca e depois daquele caminho sem volta, se arrependia.
A anorexia e a bulimia rondam milhares de famílias que nem notam. Garotas e garotos sofrem por pressão da sociedade, gerando problemas sérios psicológicos, que primeiramente causa o emagrecimento ou o aumento de peso, no caso da bulimia. O que uni essas duas doenças é a vontade sem nexo de emagrecer.
Definha até a morte, na anorexia.
Engorda e vomita, na bulimia.
A morte para essas pessoas, na maioria dos casos é a saída mais procurada. Essas doenças podem caminhar ao seu lado e você nem perceber.
E só quem já passou por isso, sabe o que é
E eu sei bem.
Ah! A Dulce.
Ela me fazia companhia, até cuidava de mim. Com ela, eu nunca estaria só. Um dia eu tinha brigado com uma menina no colégio. Na verdade eu até bati nela. Puxei o cabelo dela até o chão, tomando as dores da minha Barbie médica, agora sem cabeça. Emprestei minha melhor amiga pra ela brincar e quando voltou a boneca estava sem cabeça. Chorei tanto, porque a cabeça de Barbie, quando sai do lugar, não volta mais.
Foi a primeira vez que eu fui parar na diretoria. Primeira vez de muitas outras, depois. Quando voltei pra casa, me sentindo só, mas vingada. Depois que a vovó me deu banho. Deitei um pouco e quando acordei, a Dulce estava lá, do meu lado.
Menina branquinha, com tranças no cabelo. Vestido preto com bolinhas brancas, meias até o joelho e sapato de boneca lustrado. Ela tinha um dos melhores gostos musicais que uma menina poderia ter, cantava tão bem que até conseguia me acalmar. Um rosto iluminado e bondoso. Boquinha pequena e rosada.
Se apresentou e conversou.
Era a minha companheira de todas as horas. Cresci com ela. E quando não podia brincar na rua de pira-pega, pira-alta, não reclamava de estar conversando com ela.
Correr nas alamedas, correr de cachorro e procurar gatinhos embaixo e carros. Pular corda e subir no muro alheio. Ah! Quanta falta a minha infância me faz.
A Dulce conversava sobre tudo comigo. Às vezes até brigava quando eu fazia coisa errada. Ficou comigo por uns bons anos. Para ser franca, foi embora ano passado. Oito anos de pura amizade.
O engraçado da história: ela foi embora quando comecei a falar com o Rodrigo. Acho que ela sabia que estava me deixando em boas mãos.
Hoje ela deve ser companheira de outra garota, uma garota de sorte. Mais uma, garota de sorte.
E se um dia eu precisar, sei que vai voltar.
Sonhos de luz.
E ela se levantou, nem dormir conseguia.
Os pensamentos rondavam, vontades se remexiam e insistência e a fome batia.
Ela só precisava dele, ou era ele que precisava dela? Não, não, no momento nem isso importava. O celular não parava, mesmo sendo quase outro dia. A música de fundo a inspirava e os livros ilustrando o cenário, só a faziam mais e mais confusa.
Chorando.
E mais uma vez chorando. Nada daquilo era verdadeiramente a sua felicidade. Olhar para o nada, hoje lhe fazia tão mal. Os humildes motivos, aliás, até mesmo os bons motivos não lhe motivavam a sorrir. Sorrir pra quê? E pra quem? Cercada de gente e ao mesmo tempo só.
Ela procurava na gaveta alguma coisa. que nem ao menos sabia o que era. Mas procurava... Passar o tempo talvez. Ver a luz do dia provavelmente. Era só o que naquele instante precisava. E quanto mais queria, menos tinha. Trancava a porta como um ritual, olhava o chão como por comodidade. Era como se nem fizesse parte daquele circo todo. Só queria paz. Queria sair pra nunca mais voltar. Queria poder ser feliz independente de quem quer que fosse.
E se um dia pudesse, ou quisesse, voltaria... só para olhar mais uma vez tudo o que tinha deixado para trás.
Olhando a madrugada nublada ela deitou-se e sonhou com outra vida. Uma vida, um alguém que a faria feliz por inteiro. Acordou com um sorriso no rosto e com a certeza de que aquilo um dia ia mudar. E que ninguém mais conseguiria machucar o que agora morava no seu interior mais profundo e escuro.
Se ela consegue?
Aos poucos, aos poucos...
Quatro meses né?!
Podem dizer que a nossa fase em que tudo é lindo acabou.
Bom, na teoria, sim. Mas na prática, duvido muito.
É difícil viver quatro meses ao lado de uma pessoa, e a cada conversa, a cada risada, a cada besteira que se fala, a cada beijo que se dá, você fique mais apaixonado ainda.
Mas eu posso afirmar com toda as minhas forças de que vivo isso. E pretendo continuar vivendo por um bom tempinho aê...
(desculpa a falta de palavras. é que ando meio sem inspiração, sabe?...)
Sem nexo, sem necessidade lógica.
As noites em claro, madrugadas perdidas, dias sem luz.
Como conseguiria sem você?
Ás vezes, sem nem notar, penso e quando penso, é quando me completo, com lembranças, essas boas, e memórias que nem sempre contribuem para o dia feliz, ou não, sem você.
E se uma dia pudesse, te fazer tão feliz como você me faz, aí sim, minha felicidade estaria composta de dois belos e bons motivos.
Motivos pelos quais, hoje sou quem sou, uma pessoa melhor.
As manhãs sem aulas, as tardes sem ter o que fazer, só iluminam tua figura dentro de mim.
Os textos escritos á mão, regados de manhãs e noites passadas que que me lembram o passado e ao mesmo tempo não me permitem pensar no futuro.E pra quê?Se o hoje me faz mais sorridente.
Palavras indeterminadas e sem nexo, agora, completam um texto absurdo mas com paixão.
E se um dia pudesse, com um pensamento e sentimento egoista, te traria para o meu lado e não te deixaria mais sair.
Por outro lado, essa saudade e distância, so aumentam o que sinto, cada dia mais.
"Só por hoje não vou tomar minha dose de você."
Ah!Vício.
Não, não.
E se fosse verdade?
E se não fosse?
O que você faria então?
Ah!Não me venha com essa de que não sabe, sabe sim!Só não quer me falar.Mas tudo bem...
Conversa entre, mente e Érika na madrugada de um domingo bom.
P.S:Prometo que quando tiver meu PC de volta, faço um texto que preste.
Os dois lados e suportes da minha vida, eles.
"Mas sabe o que é, o meu sorriso constante, sem rumo, sem jeito, e que toda hora tá aqui?
Pois é, ele que consegue tudo isso, besta."
"Ah!Sim imaginei que fosse, sua chata."
Te amo, amigo chato sem juizo.
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