sábado, outubro 28, 2006

Encruzilhadas de um reflecto pedante.

Um espelho diante de si, nos mostra o ímpeto, involuntário si mesmo que nos fere a alma, e nos xinga com veemência tardia.Era esse espelho que hoje, fez-me olhar e que nem ao menos olhou-me, senti que ele alí estava, mas com o rosto virado às avessas, sem me dá o mínimo carinho por dois anos de convívio.

O espelho me fez sentir como sempre, o espelho me fez sentir a mesma de anos atrás, sendo que a mesma coisa de anos atrás, justificado esteja, não hoje sou mais.O que queria um talvez ser, não o é, e o que não o poderia ser, já o é.

Sem controversas ou pormenores, a pessoa diante de si, diante da tela do computador é clara e obscuramente a mesma de um dia, de uma noite passada.



Ela, eu, em clara em vontade própria, apenas e sódidamente, eu.


Que caminha e aún caminhará por detrás de conversas alhenas ocultas, de uma vida, conspirada por meios e objetos de um Universo sem fim, irreconhecível.

E aquela, a última de setenta dias, ao invés, de dez décadas e sete anos, ainda vive por entre os dedos, e o cabelos, pele morena, pela pele, que seda não o é, ou o era, pela música e criança de oito anos que brinca com o felino, corre e corre até não poder trazer o ar de volta.

Alí estou, com o passar, alí sempre estarei.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Ana Com/Sem Luz.

Logo que se via, o espanto era presente, não por espanto qualquer, ou espanto por ausência de beleza padrão, ou até espanto por tamanha beleza.Mas algo nela, faria qualquer um parar por três segundos, e observá-la, atentamente, procurando detalhes mórbidos e desajeitados, e por sí, encontrariam.Mas isso pouco adiantava, já que os olhos, eram o que mais chamavam atenção.Não por cores impróprias, ou cores próprias, mas por negritudes notáveis, num campo esbugalhado, puxando mais para o bonito que o feio.

Ela se chamava Ana Luz, sugerem um nome mais significativo?Eu não.A luz interior e exterior, saía pelos olhos e fincavam-se nos olhos de qualquer um, juntos, uma mescla de olhos e cores, dalí surgiriam.

Tinha os dedos mais delicados, que alguém poderia tocar.Um rosto, avermelhado pelo sol, cabelos negros, que lhe cobriam a maior parte do sorriso.

Ela, lutava pelo que queria, pelo menos até descobrir que não era quem queria ou deveria ser.Mas fato é, quem devemos ser?Ou, indo mais além, quem queremos ser?Ela queria ser outra, não aquela, que só chamava atenção pelos olhos, e não pelo o que no natural de ser, pensava.

Naquela tarde, decidira, não ser mais a antiga Ana Luz, queria luz própria, claro fique, que luz própria ela sempre teve, apenas, não conseguia ver.Ainda assim, entrara correndo pela casa verde, onde morava, pisando nas plantas que reclamaram e xingaram, abrira a porta, subira as escadas, olhava o corredor, com fotos familiares, e parada, em frende á seu quarto, alí mesmo, sentara, com as pernas em contradição, se olhou, e viu alí ao seu lado, ela mesma, a própria, a sem luz, sem vida, o ser que nem ao menos fazia juz ao nome que recebera.

Não o era, mas pensava ser.Passava as mãos bonitas pelos olhos, e arrancava as lágrimas que cresciam como a água que caí de uma cachoeira.Via as gotinhas tranparentes no chão, crescia a vontade de ser outra, deitava e soluçava.Levantava como máquina, sem pensar, olhava o fim da janela que nada tinha.Uma parede branca se formava e circulava através dos seus membros e aquilo, magicamente suprima a falta de tudo que ela nem conhecia.

Pensava nela como musa inspiradora, e não via nada.Nem de inspiração, nem de musa.Queria correr, sair dalí, mas o que queria, nem possível, era.Ana Luz, se tornou apagada, e ninguém mais via o brilho de que tanto falei.Ninguém mais via a negritude em seus olhos.Só, um rosto pálido cercada de vontades súbitas que não lhe deixavam acomodar-se.

Ela não lembra-se, mas naquele dia, pedia, para ter luz própria.E naquele mesmo instante, perdeu sua luz, e só será capaz de tê-la de volta, quando souber, que ela só, basta.

quinta-feira, outubro 19, 2006

O meu avô, o meu verdadeiro ídolo.

Quando era criança, era acordada por um certo " Formigão ", que se alojava nas minhas costelas e me fazia rir, nas primeiras horas do dia.Pela noite, assistia as novelas no meio dos dois maiores amores da minha vida: meu avô e minha avó, e quando não me apetecia mais nada, ou melhor, quando o sono, ocupava a maior parte dos meus olhos, virava para o lado dele, e passava a mão por cima do seu peito e adormecia até, ele me carregar no colo, e com a minha avó, me levavam para o meu quarto.

Lembro, acima de tudo e de qualquer lembrança, dele, sempre alí, quando o sufoco intentava se alojar, ou quando as alegrias deveriam ser compartilhadas.Era ele que me levava para o colégio, nas manhãs frias e úmidas, ele que carregava minha lancheira, e ria quando eu dizia que o barulho da minha mochila-carrinho, que arrastava no chão, ia acordar todos os vizinhos.Ele que chegava sempre na hora da saída, nunca atrasado, que era a primeira coisa que via, quando saía da sala de aula, sentado na cantina, pegando vento e me esperando com uma paciência que até hoje, não sei nem de onde, nem como veio e ficou.

Ele que até hoje, se preocupa quando vê no meu rosto, um pinguinho de tristeza, passa a mão pela minha bochecha e sorri, como todos os avôs, deveriam fazer.A figura masculina, mais que isso, um ídolo, um exemplo que todos deveriam ver e seguir.Nas madrugadas de enfermidades, gripes, eu via, sempre vi, ele indo ao meu quarto, duas, três, quatro vezes, acendia a luz, me olhava preocupado, puxava o lençol e voltava para tentar dormir.Quando não, ficava lá, com a vovó, sempre olhando, observando, procurando ajudar...Como pai, sempre cuidadoso e compreensivo, como marido então, sempre digo que quando tiver um marido, ele tem que ser no mínimo, como é meu avô, porque ele sim, procura sempre a perfeição em qualquer posto familiar que assuma.

Dizem, que filhos de pais separados, sempre sentem falta de alguma coisa, por menor que seja, eu não fui e não sou assim.Sempre tive, e tenho, todo o amor, e carinho que eles juntos conseguiram me dá.Supriram todas as minhas necessidades, sejam elas quais fossem, as mais complicadas e as mais simples de se resolver.E meu papai alí, sempre alí, do meu lado, nunca precisei de mais nada.E sabem, toda a força e tudo o que hoje me faz forte, vem e certeza tenho, sempre virá, deles, dessa família maravilhosa, simples como muitas, mas carinhosa e afetuosa, como poucas.Agradeço sim, por ter tido a sorte de ter e de principalmente poder e saber aproveitar, tudo, os mínimos carinhos, as menores palavras, os conselhos, os sermões muitas vezes ouvidos com raiva, com a cara de quem nem estava ouvindo, é, mas estava, sempre estive, e na verdade sempre estarei, ouvindo, aprendendo constântemente.

Setenta anos, sete décadas, em um misto de amor, compreensão, afeto e muito carinho.A inteligência na forma humana, meu avô, meu mestre.É ele que sempre sabe todos os significados de todas as palavras possíveis e imagináveis, o que sempre sabe me explicar o que não entendo, marcado pela experiência traduzida em sabedoria.

E passe o tempo que passar, ele nunca deixará de ser o melhor, em tudo que tente ou faça.


Amado, adorado, idolatrado, esse, meu avô, meu querido avô.


Grata.

terça-feira, outubro 17, 2006

Entre Flores e Discos de Vinil.

Era agosto.Agosto do desgosto, já foi dito alguma vez.Chovia como de costume nas tardes avermelhadas que emolduravam sua janela.As flores pediam permissão para voltar à terra, mas não conseguiam se fazer ouvidas.Os pássaros migravam com família à procura de um bom lugar para o ninho.Nesse cenário, com personagens à disposição; ela o conheceu.

Tremia como se o frio já houvesse chegado alí, mas era o calor que alí estava.O vento seco que batia no cabelo e os impulsionava à caminho da boca.Ela nem conseguia respirar.Parada, como pedra, olhava fixamente na procura de um olhar amigo, que em fato, teve.

Ele a olhava com espanto e admiração, intentava iludir-se dizendo que conseguiria andar, mas não conseguia.Olhava para cima, e para os pés, como se já a conhecesse.Olhou e olhou, passou por ela, e conseguiu sentir o cheiro, que lhe cortava as narinas por saber que não mais sentiria.

Despertava como numa manhã, que houvesse pressa.Sentia o calor alheio passando por entre seus dedos e indo embora, olhou para trás, mas ele já havia ido...





As quatro semanas seguintes, foram como se ela estivesse com ele, e nem ao menos sabia seu nome.Saía todas as tardes, ia ao mesmo local, e nunca mais o havia visto.As esperanças se esgotavam, e a paciência também.

Foi quando por entre discos de vinil usados, ela o viu como se no dia seguinte estivesse estado com ele, falando sobre banalidades e futilidades que só um casal de verdade entende.

Segurava firme o discos que lhe apetecia levar, e mecanicamente, ele a via.Levantara o rosto e nem ao menos piscava, sentia como se um raio de sol o invadisse os olhos e lhe fazia sentir o calor.Ela parada, ele parado, com discos de vinil nas mãos, e olhares indicretos ao redor.Os discos voltavam ao seus respectivos lugares nas prateleiras, empoeirados e experientes pelo tempo.

Alí, eles se encontraram mais cinco vezes, e cada vez, era como se fosse a primeira, com os mesmo raios de sol cortando os olhos, e o mesmo calor passageiro.Um mês se passou, e parecia que já se conheciam a anos, mas sem a comunicação normal.Ela sentia-se dele, e ele sentia que a possuía.Mas nenhuma palavra fora dita, só olhares.

Ela já sabia que ele gostava de Roberto Carlos, e ele sabia que ela gostava da antiga Madonna, a sexy.Sabia que ela lia demais, e ele também lia, queria poder indicar livros, perguntar sobre livros, indicar músicas e pegar na mão delicada cheia de anéis, dela.

Foi ele que se aproximou, disse olá e ela o olhou como uma mãe olha para um filho, dando um sorriso e um oi fechado.

Estas foram as únicas palavras que trocaram, depois dalí, se viram por mais duas vezes, e nunca mais ela comprou discos da Madonna, nem ele do Rei, afinal, o encanto acabara.

Como veio, se foi.



Até hoje, ela conta a história do menino que gostava de Manuel Bandeira e Roberto Carlos, como se tivesse vivido uma linda fase de amor.E ele, lembra todas as noites da menina com anéis grandes nos dedos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Palavras de um Futuro bom - Jota Quest.

"Anda enquanto o dia acorda a gente ama,
Tô pronto pra ti ouvir aqui na cama.
Te espero vamos rir de todo mundo
Nesse quarto tão profundo.

Para, repara tente ver a sua cara.
Contemple esse momento é coisa rara.
uma emoção assim só se compara, a tudo que nós já
passamos juntos.

Preciso tanto aproveitar você
olhar teus olhos, beijar tua boca
ouvir palavras de um futuro bom.

Preciso tanto aproveitar você
beijar teus olhos, olhar tua boca
dizer palavras de um futuro bom."












E eu nem gosto de Jota Quest.
Mas fazer o que, quando esses caras conseguem fazer com que a gente sinta vontade de se identificar com a letra?
É, pois é, pois é...













Um Futuro bom? Maravilhoso, né A-M-O-R?

sexta-feira, outubro 13, 2006

Irmã de fé e alma.

Ela olhava as paredes rurais do quarto, como forma de despedida.Engolia o último gole de chá gelado, e prendia os cabelos com uma fita vermelha.Olhava as fotos no mural, os amigos que alí encontrara, as paixões que alí, havia vivido.

Olhava a mala por ainda arrumar, e o guarda-roupa com frases e fotos de um passado feito de ontem.Os brinquedos e a sua felicidade, sentia o coração apertar cada vez mais, quando lembrava que alí, nunca mais voltaria.

Olhava o mar que não existia, pela janela.Olhava o céu que alí encontraria, mix de vermelho com azul.Sentia o frio e o quente no corpo, e as lágrimas pesadas a encontrar o rosto fino.

Limpava o rosto, por futilidade.Abria os olhos com força e sonhava acordada.Olhava fotos e cartas e sorria, chorava e lembrava.Na verdade, ela nunca esqueceria os que realmente amou.

Lembrava delas, as que tinham acompanhado todos esses anos, que haviam chorado, brincado, gargalhado e tirado fotos e mais fotos juntas.Amigas, verdadeiras e pequenas amigas de fé.

Tinha esperança, de que longe dali, sem ninguém, o futuro à esperava e seria melhor que o passado.Era uma regra, uma missão, um limite de vida, ter que sumir dalí.Para todo o sempre.

Sentia a chuva cair, com a rapidez que ia embora.Sentia o coração sumir do corpo, como as lágrimas já haviam feito.Entrava no banheiro e despedia-se da água, do espelho e do que ainda havia por alí.

Queria e não queria.

Arrumou a mala, saiu do quarto, mandou beijos para a casa escura e vazia.Pegou no cachorro, abriu a porta e esperou que ele fosse embora, mas ele não foi.Arrumou um lugar e levou ele dali.

Ele e ela dali.





A menina que dali foi embora, nunca mais voltou.
E me deixa saudades até hoje.



Amiga amada, sempre, sempre, para todo o sempre, haja o que houver, eu continuarei aqui.No mesmo lugar, com o mesmo rosto limpo, à te esperar.Esperar que voltes e me traga a felicidade, ou não.





"- Que Deus te faça feliz e que te acompanhe.
- Não, não, que ele fique aqui contigo e te mande um pouco de juizo.
- Eu te amo.
- Eu te amo, para todo o sempre; irmã.
- Irmã!"

segunda-feira, outubro 09, 2006

E foi assim, como foi, assim.

Há dias, em que o estômago, se nutre de borboletas a voar pelo mesmo.A vontade de sair por aí, sem olhar os carros, cantando, sentindo a brisa correr pelo corpo, como água, no banho.

Os pés, nos convidam, os olhos se animam por pura ilusão e os braços se chocam com o ritmo da música.Era assim, é assim, que ela sente.

O ontem, rima com o hoje.Ah!Rima sim, rima sim!E ela lembra dos diálogos, dos beijos, dos olhares, das provocações, das gargalhadas, das lágrimas e das dúvidas.

Ela prometeu não pensar mais, apagar dos olhos a vontade da felicidade eterna.Mas com ele, tudo era diferente.

Lembrava-se das primeiras vezes que eram, casal.E logo, logo, o queria, na hora, para olhar e amar.




- Você acha que é?
- Ora, claro que é.
- M-mas, você acha que sim?
- Ah!Mas é você quem disse que sim.
- Não, não.
- Foi sim!
- Não me lembro disso!
- É, pois é, mas foi.
- Acha, que, amar é o certo?
- Se acho?Tenho certeza, ora.
- Mas e se depois...
- O depois não existe.
- Ah não?
- Não, não.
- Bom, sendo assim...Mas sabe, é claro que existe o depois, ora, sim, ah!sim!
- Quem lhe disse?
- Ué, ninguém, eu vivo o antes o agora, e o depois.
- Mas que coisa clichê, não concorda?
- Não mude de assunto!
- Mas é claro que o depois não existe.
- Existe sim.
- Huuum, acredite no que lhe apetece, ok?
- O depois não me apetece, mas o fato de que existe sim!
- E quem lhe garante que o depois não irá lhe apetecer?
- Ah!Quer saber?
- Sim, claro.
- Vá procurar o que fazer e me deixe aqui, lendo meu livro.
- Nossa, sua educação é formidável.
- Ah não se faça de vítima, foi você que começou...
- Ok, ok, sendo assim, já me vou.
- Já não era sem tempo.




E a segunda mente se foi.

sábado, outubro 07, 2006

Primeira de últimas infinitas.

A rima que não poderia faltar.
O som que não poderia olvidar.
O ritmo que nos faz dançar.
O cheiro que não nos faz falhar.
A dança que nos faz suar.
A poesia que nos faz amar.

(...)

Ela o olhava sem motivo algum, ele imagina o porquê; eles nada tinham à fazer.O tempo, havia mostrado o amor, que sentiam, e o riso já, familiar.O amor, o amor deles, era só o que precisariam para poder e conseguir seguir em frente.

O futuro e o passado ligados a um presente cheio de flores e espinhos, um presente conquistado por base no carinho, respeito e admiração.Admirava tudo nele, até o olhar sem rumo.O sorriso mais que encantador era prova, da boa companhia.E o Manual de Instruções que havia entregue em suas mãos a tempos atrás, era vivo e vivido dia após dia.

Sentia-se feliz, como nunca havia sentido, mostrava-se como nunca havia feito.E entregava-se, sim, como jamais havia feito.Ele sabia, ela sabia, o amor alí, reinava e denominava os tempos.

Era só, o só, o ele, que precisava.

Apenas e muito.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Ora, por favor...

Nada, deixe pra lá...

Quando sair, apague a luz e feche a porta, sim?

Anda, anda, eu sei que você quer ir mesmo.

Vá, vá lá...

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